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segunda-feira, 16 de março de 2015

O efeito legging!

Tenho para mim que Deus é um pândego como já não se fazem. Aborrecido da vida, alapado numa nuvem fofinha, cansado do tédio da existência infinita, lembrou-se um dia de inventar essa maravilha da alta-costura que é a legging. E a coisa corria bem. Enquanto foram apenas as esquálidas bailarinas a ter a feliz ideia de as usar a coisa corria bem. Vai daí o povoléu pôs o olho na dita pecinha. Tomou-lhe a textura. Operaram-se milagres na mente das criaturas: confortável mais confortável não há. Num piscar de olhos toca de produzir a legging em quantidade industrial. Dá-se o caso do material ter propriedades que lhe permitem expandir-se. O caos generalizou-se. A noção e o bom senso, como bem sabemos, não é para todos. Quando demos por ela a moda estava instalada e desde o S ao XXXLLL é vê-las passear o nalguedo e as celulitames por aí fora, todas airosas, de coxas bamboleantes. Não é bonito senhoras, ide por mim: não é bonito!

Mas Deus é um moço que se enfastia amiúde. Nova ideia genial. O unhame de meio metro. Agora o que está a dar é usar aquelas coisas a que insistem em chamar unhas mas que a mim me parecem umas garras afiadas. Em tamanho normal ainda se suporta, mas tenho visto com cada despautério! A mascote do Benfica tem-nas mais aparadas do que algumas criaturas. Em todo o caso reconheço ali alguma utilidade: serve de arma de defesa pessoal. Não tem como falhar se a ideia fora vazar uma vista a alguém.
Para o ramalhete estar completo faltava poder eternizar estas belas invenções. Nem bem o tinha pensado e já a selfie estava criada. Esta grandiosa invenção, segundo consta pelas notícias que li, deve ter sido patrocinada pelo Quitoso. O contacto entre as frondosas cabeleiras mais não tem feito do que propagar a bicharada. Ora, Deus como se sabe tinha de dar alguma utilidade aos chineses. São mais que as mães e todos bem idiotas. O que não faltam é ideias e invenções para aquelas bandas. Não tardou veio a moda dos pauzinhos para facilitar os auto-retratos (isto sou eu a inventar terminologias a ver se pega!). Again: é tudo muito lindo e tal e coisa mas com moderação, meninos, com moderação. Andar a fotografar-se com pauzinhos e coisas dá assim um ar… tolo. Só. As fotos continuam a não valer um chavelho mas pronto, temos um pauzinho. A juntar à unhaca afiada já vão em duas as armas do nosso arsenal. Há exércitos menos bem equipados!
Acto contínuo, ainda não recuperada dos poros e das tezes mal cuidadas de alguns espécimes, zás, sou confrontada com a variante da selfie que me obriga a levar com uma enchente de comida. Na maioria dos dias nem preciso de tomar o pequeno-almoço. Vejo as fotos e já fico saciada. Ou enjoada, dependendo da qualidade das mesmas. Por cada pessoinha que tem em si uma Felipa Vacondeus encontramos dez outras que nem um ovo sabem estrelar mas acham por bem dar-se a ares de Adrià (que para quem não sabe é um génio dos tachos). Pior, não só não sabem cozinhar como não têm noção disso. E para piorar o que já de si é mau: são detentores de um sentido de estética a roçar o nulo. Não raras vezes sou confrontada com a terrível provação de ter de suportar a fotografia péssima da mistela indescritível em loiças inqualificáveis sob panos horrendos. Tudo isto, estando a autora a usar uma legging!!
E podia continuar por aqui fora. Não estais livre de que o faça em oportunidade futura. Há tanto Big Brother à espera de ser analisado, tanto jogo do Sporting para discutir ao pormenor, tanto casamento do Pinto da Costa para dissecar. Basicamente, minha gente, a mensagem a reter é a da Sónia: “Tudo é para todos mas nem todos são para tudo.” Que é como quem diz: não é por existir e ser moda que eu tenho de usar ou fazer. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe. Juizinho nessas cabeças e mais contenção na asneira, fazendo favor. Não há dinheiro para lencinhos e toca de fungar ao meu lado no autocarro e de limpar a narigueta à manga, mas temos sempre troquinhos para comprar mais um pingarelho eletrónico. E respectivo pauzinho! O que é de mais também cansa. A princípio a gente ri, mas chega uma fase em que o mau gosto enfastia. [E contra mim falo que gosto de meias de fantasia.]

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Amamentar é como usar leggings: não é para serem usadas por todas nem em todo o lado!

Não é sempre, mas de quando em vez, mormente quando o calorzinho assim o pede, somos meninos para depois de uma passeata de BTT alapar no sítio do costume, a lambuzar-nos com umas certas tostas que são divinais. Ataviados de lycra e empoeirados ou enlameados (consoante a estação do ano) sentamo-nos na esplanada. Comemos, bebemos, conversamos, convivemos. Nas mesas ao lado outros grupos fazem o mesmo. Calhou que num destes dias a mesa do lado foi ocupada por uma família e um par de amigos da dita. A senhora que hoje aqui me traz botava um corpinho jeitoso. Só por si isso atiça-me logo a má língua. [Sim, sou uma verrinosa e desculpar-me-eis, mas falar mal todos falamos, ao menos eu tenho o bom senso de o fazer de forma discreta e nada ofensiva, creio]. Vai que a dita senhora decide que bem bem é começar a dieta no ano que vem e nos entretantos ir avolumando com uns gelados. Até aqui tudo ok. Cada um sabe de si e o Serviço Nacional de Saúde saberá de todos. Acresce que a referida senhora, do nada, saca da mama direita (para que vejais como me marcou a cena até esses pormenores decorei), deita o seu mais-novo e vai de lhe dar de mamar ali. A peitaça da senhora era assim um encontro entre a da Kim Kardashian e a da Pamela Anderson: um tamanho de alto lá com ela que até eu fiquei de olho à banda, quanto mais os moços que me acompanhavam. Pasmámos de imediato. Na esplanada. Enquanto se lambuzava (uso o verbo com toda a propriedade porque comia mesmo sem maneiras) com o gelado, a senhora amamentou o seu filhote. A páginas tantas a criança já não comia, brincava com a mama, choramingava, e a senhora ali, toda contente, com o peito de fora continuava a comer o seu gelado e a gargalhar alto. Fomos, dirão alguns, uns tolinhos: amamentar é um acto natural que não deve suscitar qualquer admiração. E se assim é onde reside aqui o insólito ou o estranho, o correcto ou incorrecto da situação? Pois que eu acho bem: se a Mulher quer amamentar e pode, faça-o à sua real vontade. Mas vamos lá ver: há situações e situações e há locais e locais. E, sobretudo, há formas e formas de o fazer.
 
Neste momento o mundo blogosférico está em guerra. Esta fofucha, que até tem piada e tudo, cometeu  o "erro" de criticar a malta que decide alimentar em público os seus filhos sem recato algum. E foi um vai-que-te-avias, de mães de varapau em mão, a atacar a moça, argumentando que é um acto natural e que não vêem qual o mal de o fazer em público, e que as pessoa se ofendem com pouco, e que é uma falta de respeito pedir que as pessoas se tapem enquanto o fazem. Vamos lá ver aqui uma coisa: aqueloutra senhora de que vos falo ali em cima teve, certamente, uma postura bem diferente da que deu origem ao post da Leididi e ao meu e a outros tantos. "Hotel obriga mãe a tapar-se com um pano para amamentar bebé" Nas fotos podemos ver a senhora, numa postura bastante mais recatada do que a da esplanada, que insistia em ter aquele mamaçal todo exposto, sem cuidado algum. Estão ambas no seu direito, tal como o Hotel. Mais uma vez não se peca tanto pelo conteúdo e muito mais pela forma.
 
Sumariamente: não tenho nada contra mães, menos ainda contra mães amamentadeiras. Mas a modos que nestas coisas acho que não custa usar o bom senso, perceber os contextos e, embora o ar seja de todos e cada um faça o que quer, procurar respeitar os outros. Por mim aplicamos a regra das leggings: existem, podem ser usadas, mas não é por todas nem em todo o lado. Qual é a necessidade de me obrigarem a ver rabos encelulitados até mais não? Da mesmo forma as mamas das mamãs que amamentam poderiam ser mais resguardadas. É que por cada injustiçada que se comporta como deve ser em público temos outras tantas que não têm noção e que simplesmente fazem de um acto ímpar entre mãe e filho um momento completamente insólito e vulgar!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Pecado.

Há uma malta toda ela musculada que se exercita no parque cheio de artefactos exercitadeiros aqui ao lado do sítio onde espero a chegada do autocarro. Estão consumidos por uma dúvida atroz, pelo que oiço. Pausa nas séries para conferenciar. Diz um que é pecado sim senhor. Diz o outro que não, que se for boa é até um desperdício. Tenta rematar a conversa com uma sentença definitiva um outro: «É pecado se for a Avó, a Mãe, a Irmã... e acho que a Sobrinha também. Mesmo que seja toda boa!»
[Pergunto-me de onde saem estes espécimes raros que teimam em cruzar o meu caminho.]

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Bom senso às colheradas como se fosse óleo de fígado de bacalhau!

Eu sei que não entendo nada disto mas quer-me parecer que a mãe daquele rapazito suspeito de ter ateado sete incêndios na Covilhã vir dizer publicamente, numa entrevista em que aparece a fumar, que "põe as mãos no lume por ele" não ajuda muito na defesa do cachopo. Aliás, só vem confirmar a tendência familiar para brincadeiras perigosas com as labaredas!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Vi eu com estes dois olhinhos! #8

A ideia era sair de lá acompanhada, no mínimo, de dois moços garbosos, para me ocupar (deles) durante o fim-de-semana. Não vi nada que me enchesse o olho. Talvez porque, à primeira vista, os cifrões me tenham ferido demasiado a retina.
 
Em compensação maravilhei-me com os prodígios da imaginação lusa...
 
 
 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sou tão burrinha. Sou uma pessoa de fé, queria eu dizer.

Maria para o senhor Jorge (motorista do estaminé):
Desculpe incomodar, mas já que vai à oficina levantar o carro teria a amabilidade de perguntar aos senhores se sabem onde posso mandar consertar a minha chave do carro toda XPTO que tem aqui esta pecinha lascada? Tenho medo que deixe de funcionar a qualquer momento porque tal como está pode encravar dentro da ranhura. Agradeço-lhe imenso.
 
Senhor Jorge, todo prestável:
Com certeza, menina Maria. Sem favor. Não custa nada. Fique descansada que já vou ver em algum stand onde pode tratar disso.
 
Eu bem estranhei quando o estafermo do homem regressou, passados apenas dez minutos, todo risota, e me entregou a chave.
 
Menina Maria, não ligue aqui a este espacito que sobrou na pecinha. Acho que assim como está vai funcionar. Levei-a ali ao sapateiro e puseram-lhe uma cola preta, especial, que eles lá têm. Está um brinquinho, diga lá que não?!
 
Porquê Senhor do Céu, porquê? I should have known better! Porque é que eu ainda acredito que o portuguesinho não tem uma tendência inata para adoptar sempre a Lei do Desenrasca???

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Igualdade de género o camandro! Formação e ética, isso sim!

Não sei se sabeis mas a blogsfera de repente tornou-se num campo de batalha como não há memória. A propósito do caso da Carolina (dado a conhecer numa reportagem do Jornal i), os blogueiros e as blogueiras desta vida armaram-se de varapaus e toca de arremeçarem paralelos aos sobrolhos uns dos outros, em episódios de onde nem sempre saem bem vistos dados os fundamentalismos e os radicalismos em que normalmente incorremos quando abordamos assuntos sensíveis como o seja a violência doméstica, por exemplo.
Poupo-vos à minha opinião sobre piropos, homens que matam mulheres e são aplaudidos à porta do Tribunal (pasme-se!) por mulheres, mulheres que maltratam psicologicamente maridos, crianças que são vítimas de negligência parental e outras desgraças semelhantes (isso fica para outro dia). Sobre isso já muito se falou e muito pouco continua a ser feito. E sem ter nada a ver, mas tendo tudo a ver, porque para mim se trata em todos os casos de uma questão de educação e de princípios (ou de falta deles), posso relatar um episódio sui generis, que se resume num par de frases. Homem-estátua actua na rua. Um senhor segue à minha frente com os dois filhos e a esposa. Ao passar pelo artista senhor tropeça na latinha das moedas fazendo-a cair, espalhando o dinheiro. Senhor abranda, impávido e sereno, dirige-se ao Homem-estátua e diz-lhe: Olhe, já estava assim! Toda a gente viu que foi ele que lhe deu um chuto. Inadvertidamente, mas foi. O normal seria baixar-se, apanhar as moedas, pedir desculpas. Em vez disso mentiu chamando ainda mais a atenção para a sua culpabilidade e limitou-se a seguir como se não fosse nada com ele. O filho, parado a assistir àquele disparate, hesitante, baixou-se, apanhou as moedas, colocou a latinha novamente no sítio, com o pai sempre a resmungar. Posto isto: no meu entendimento o respeito pelo próximo começa nas pequenas coisas, no básico. O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Não precisamos de pegar em exemplos em que se chegou a extremos (em que houve mortes, violações, maus tratos) para ver que a raiz do problema é a questão da formação. O respeito ensina-se e aprende-se. Ponto.
 
Às vezes, em determinadas situações e contextos, tenho medo como mulher, mas a maioria das vezes tenho vergonha como pessoa!
 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Esperto foi o Tordo que se pôs a andar daqui para fora!

Sobre a questão do Tordo ter emigrado, do Passos aconselhar os jovens (e os menos jovens) a saírem do país para procurar oportunidades e outras quezílias que tais apetece-me dizer N coisas. Mas para já para já a única coisa que me faz sentido é: a falta de oportunidades cria problemas económicos e financeiros às famílias, é verdade. Mas cria também um problema que levaremos muito tempo a ultrapassar: o desânimo generalizado e a falta de esperança. O desespero! Que se entranha, que amesquinha e que apequena. Para além disso apetece-me ainda relembrar que, independentemente do meu respeito e apreço pelas artes e pelos artistas, há dias em que tenho a perfeita noção de que um país como o nosso, onde a cultura é (des)tratada como sabemos, são pessoas como os meus pais quem de facto produz alguma coisa. Pessoas que trabalharam toda a vida, desde crianças, que madrugam, que só há pouco tempo começaram a fazer férias, que põem efectivamente comida na mesa com o suor do seu esforço. E pessoas assim, que lutaram para que pessoas como eu pudessem ter outras oportunidades, merecem um tratamento melhor do que aquele que os espera. Do que aquele que já começam a ter. E pronto, por agora era só isto.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

É uma esquadra portuguesa, com certeza!

Onde íamos? Ah, recapitulo para vos contextualizar: estou à entrada de uma rotunda, vem uma senhora, perdão, uma troglodita, manda-me um encosto ao de leve, põe-se a milhas, fico eu a esbracejar feita palerma no meio da rua.
 
Tão cedo recupero do baque de acabar de ter passado por parva, avaliados os estragos, considerando que não era caso para estar a armar arruaceirices mandando vir a Polícia, meto-me no carro e mando-me às bombas de gasolina. Nestas coisas temos de ser práticos e eu estava quase a ficar a pé. Ódiante. Decido então, com mais calma, dirigir-me a uma esquadra que conheço ali para aquelas bandas. Amando-me lá e - em boa hora Deus Nosso Senhor me encaminhou para aquele local - sou atendida por um rapazinho que, meninas!, era um autêntico Adónis! Claro que eu, que não faço a coisa por menos, estava toda esguedelhada, deserta por chegar a casa e enfiar o pantufo, curar a gripe demoníaca que me trazia prostradinha havia dias, apresentando-me pois, na ocasião, fanhosa e roufenha. Toda eu era uma miragem! Uma estampa! NOT!
Começa então a minha desditosa saga: o tal do miúdo bem apessoado lança de lá a bujarda que esse tipo de atendimento é feito numa outra esquadra porque tudo está dividido por sectores e mimimi... Coisa para me fazer mudar logo de cor: então uma pessoa é praticamente atacada e não pode apresentar queixa? A praguejar, lá me dirigi à tal da esquadra específica para reclamações e queixas de acidentes. Cúmulo: há um arrumador à porta, raça excomungada que abomino, e ainda tenho de largar um euro. Mesmo nas barbas da Polícia. Adoro! O senhor Agente que me recebe é todo ele uma figurinha digna de comentário. Gordo, entalado na farda, pança de fora, botões na iminência de me vazarem um vista se saltassem. Bigodaça farfalhuda. Dentes, a bem dizer, só lhe vi dois. E nem eu abrira a boca e já ele era um chorrilho de queixas: a gente não podemos trabalhar se não nos pagam, menina! Não conte com respostas rápidas! Ora portanto, a ver se entendi: uma pessoa [não sei se era bem uma pessoa] bate-me no carro, eu evito chamar a Polícia para poupar dinheiro aos contribuintes em geral, vou por minha conta à Esquadra e ainda me dizem que é coisa para demorar e não dar em nada? Bom sabê, gentji! Deixo-vos apenas com o relato final do episódio para terdes uma ideia. Depois de conseguir desencantar uma caneta que escrevesse, de preencher as papeladas, de ter feito um desenho que atesta o que sempre se suspeitou: que tenho um talento para as Artes equiparável ao de um feto de quatro meses, de ter preenchido novamente mais papeladas, de ter ensinado o senhor a procurar uns sites na net, diz-me então ele: «Lá para quarta ou quinta-feira passe a apanhar a documentação.» E como eu tenha dito, feita papalva, inocentinha da vida: «Depois de amanhã ou assim?», aniquila-me com o seu ar de espanto e esta sentença: «Olha, esta menina! Tem graça, a menina! Quarta ou quinta da próxima semana, claro! E upa upa! Já é depressa de mais que a gente se não nos pagam não podemos trabalhar!» Toma lá do que é bom para a tosse!
Depois de ter levado com a (falta de) educação de uma senhora criada pelos Hunos e com zero noção de responsabilidade social, da tal dita criatura ter insinuado que sou "dahhh" [e sou, porque se não fosse tinha-lhe pregado com a porta do meu carro com uma certa delicadeza para ver se gostava do tratamento], de uns espirros intermináveis e uma dor de cabeça mortal, de ter lidado com um senhor agente solícito que só ele, terminei o dia confusa e sem saber se mais almolgado estava o carro ou a minha auto-estima. Fora de brincadeiras: deprimi! Nós temos o país que merecemos, tenho dito frequentemente. E acredito mesmo que sim. O país somos nós, as pessoas. Como podemos exigir que quem nos dirige esteja à altura quando nos comportamos desta maneira? E por outro lado, como podem eles exigir que nos comportemos correctamente quando o exemplo vem de cima e o exemplo é, a bem dizer, uma canalhice pegada? Que país é este, Deus do Céu!?
 
 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Levei uma panada, comi e... não me calei!

Cara Senhora que achou por bem brincar ao toca e foge com o Maria Mobile:

Ignoro - por enquanto - o seu nome, mas sei que usa óculos, a cor, a marca e a matrícula do carro que conduz. O mesmo carro com que "deu às de vila Diogo" depois de me ter dado um toquezito carinhoso. Não lhe levo a mal a desatenção, repare. De todo! Chovia, a visibilidade era um nadinha mais reduzida do que o habitual, o dia estava a terminar, deduzo que estivesse cansada. Mas a verdade é que eu estava, na paz de Cristo a ser torturada pelo Bublé que passava na rádio, parada à entrada da rotunda, a aguardar serenamente a minha vez para prosseguir em segurança. Eis senão quando sinto um solavanco no carro, já que V. Exa., apressadinha, resolvera bater no meu para-choques traseiro. Repito: não lho levo a mal! Dia de derby... certamente teria um bem apessoado esposo, fanático do esférico, à espera dos aperitivos, no remanso do vosso lar. Eu é que não contava que, em saíndo para resolvermos este piqueno "qui pro quo", a senhora fosse dar à fuga - literalmente! - e [aqui reside, verdadeiramente, o busilis da questão!] passar por mim fazendo um gesto dando a entender que sou cega, dahhh, ou ambas. Ora, se há coisa que me apraz fazer amiúde é reclamar! Não obstante, qualquer pessoa que comigo prive facilmente a elucidará: falta de educação é coisa que não me assiste. Já vê a senhora que, dada a sua reação, não podia eu ficar se não apanhadinha dos nervos. Queira pois saber que tem em mim uma espécie de fã para a vida! Tenciono encontrar V. Exa. o quanto antes para lhe dizer de viva voz que é, no mínimo, um orgulho para este país, um exemplo de moral e dignidade para a sociedade em geral e (no caso de os ter) para os seus filhos em particular, uma cidadã exemplar. Gostaria apenas de a relembrar do seguinte: não prestar assistência em caso de acidente é considerado crime em Portugal. Pior ainda ainda se formos os causadores e nos pusermos ao fresco. Just saying...! Eu estou bem, graças a Deus e à quólidade do bólide (beijinho grande meu lindo popó), não perca o sono a pensar nisso! Ansiosa. Um nadinha ansiosa pela oportunidade de lhe dizer ao vivo e a cores que a responsabilidade civil é um conceito tão lindo.
 

 Com os melhores cumprimentos,  

 Maria, também conhecida por ser um nadinha tinhosa quando se trata de injustiças.  

 

Nota: num próximo post, quando me recompuser do caricato da situação, narro-vos a odisseia da apresentação da queixa e a aventura que é embrenhar-nos nos meandros de uma esquadra portuguesa.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Dura lex, sed lex!

O assunto "praxe" está para mim, em termos de importância e espaço para discussão, mais ou menos, ao nível das touradas: eu tenho uma opinião, admito que cada um tenha a sua, respeito e espero igualmente ver a minha respeitada. E, como em quase tudo na vida, não sou aficionada de radicalismos, pelo que tanto sururu em torno do que considero um não-assunto me anda, no mínimo, a enjoar, sobretudo pela forma enviesada como tem sido abordado.
 
Quando ingressei no Ensino Superior, mais ilusionada (perdoai-me o "espanholismo") do que iludida, Coimbra foi a cidade escolhida. Sabia de antemão que em mais nenhum ponto do país a tradição se vivia como lá. Sim, sonhava com a capa e a batina. Fui praxada, fiz figuras ridículas, e ri. E ri. Ri muito. Quando olho para trás e rememoro esses dias não me lembro de jamais em tempo algum ter sentido medo, ter sido humilhada ou de ter sido sujeita a alguma prática que ofendesse a minha integridade ou tivesse posto em causa a minha saúde física ou mental. Quando muito era eu que dava com eles em doidos! No ano seguinte praxei, confesso que com menos entusiasmo do que aquele com que tinha sido caloira. Desfilei no Cortejo. Despedi-me de Coimbra quando os primeiros raios de sol da madrugada despontavam pondo fim a uma Queima, para mim, inolvidável.
 
Depois ingressei no mundo do trabalho. Fiz parte de equipas de que, malgrado as ovelhas ronhosas do costume, gostei imenso. Fiz amigos para a vida. Fui vítima de uma burla espectacular de tão ínsana que foi. Acabei a trabalhar para um casal que julgava poder viver com a ostentação de Versalhes, tratando a criadagem como se ainda estivéssemos no tempo do senhor Salazar. Andei sempre à beira do limite, prestes a explodir, vivendo numa revolta constante, a suportar humilhações sucessivas, num atropelo constante de direitos laborais e regras básicas de educação. Um dia disse basta. Não me lembro de em muitas ocasiões ter respirado tão profundamente de alívio como nesse dia.
 
Hoje integro um gabinete onde me tratam como uma menina, por ser a mais nova, por serem pessoas extremamente educadas e com tacto, onde me estimam. Não preciso de estar em alerta permanente. Gosto do que faço. E gosto das pessoas que me rodeiam.
 
Se porventura hoje alguma das pessoas com quem convivo, sobretudo a nível profissional, me faltasse ao respeito fosse de que forma fosse, poderia até ser o Primeiro-Ministro em pessoa, não tenho dúvidas de que a mandava bardamerda imediatamente. O dinheiro é importante, a dignidade e a saúde mental são-no muito mais. Onde aprendi isso? Na praxe? Não. Não foi a praxe que me preparou para a vida. O que me vai preparando para a vida são os sucessivos tropeções, as desilusões, as escolhas acertadas, os acontecimentos que deixam calo e que me nos fazem evoluir. Isso também aprendi na praxe. Mas o essencial vinha de trás, de casa; reforcei-o durante; cimentei-o anos depois. A praxe serviu fundamentalmente para revelar aos outros facetas de mim que no dia-a-dia das aulas não conheciam. Mostrou-me outros lados, porventura mais ousados e mais divertidos, de colegas que eram habitualmente compenetrados no quotidiano estudantil. Alguma alminha se extraviou a gatinhar a caminho do Pratas onde nos esperava o tracadinho? Nem pouco mais ou menos. A praxe foi, para mim, uma diversão, um dos aspectos da vida académica, um dos encantos de Coimbra. Mas essa foi a minha experiência. Se me disserem que há doutores que humilham, maltratam e/ou exploram caloiros não desminto. Gente boa e má, gente com princípios e com falta deles, gente de coração gigante e gente mesquinha há-a em todos os grupos, seitas, associações, grémios, bandos, equipas, whatever. Vangloriar-se com a desgraça dos outros, reforçar o ego à custa da ignomínia alheia é uma opção pessoal, é uma questão de falta de carácter transversal na sociedade, longe de ser apanágio de doutorzecos frustrados.
 
Morreram seis pessoas naquela noite, no Meco. Os pais daqueles jovens, tomados por uma dor inexplicável, querem respostas para poderem seguir em frente. O Dux, como qualquer testemunha, tem o dever moral - porque os pais têm esse direito moral também - de prestar declarações e ajudar a apurar a verdade. Mas o "drama de faca e alguidar" termina por aí. Até prova em contrário tratou-se de um acidente. Não é provável que os jovens tenham sido coagidos à força a agir de forma menos responsável. Nunca se saberá com certeza absoluta o que aconteceu naqueles momentos fatais, mas uma coisa é certa: resistir à praxe não nos torna párias aos olhos dos outros. Da mesma forma que aderir não faz de nós carrascos. Como em tudo na vida é-nos dado escolher. Depende da formação pessoal de cada um, das suas convicções, dos seus objectivos, das suas crenças enveredar pelos imensos caminhos com que nos vamos deparando.
O que nos prepara para a vida é uma educação que começa em casa, um entorno familiar que nos transmita valores, que não nos deixe nunca sermos grandes à custa dos outros. Da mesma maneira que durante o Liceu tinha amigos que fumavam, que bebiam, que experimentavam drogas sem nunca aderir a grupinhos por imposição social, aderi, em consciência, à Praxe de Coimbra, sem pressões, sem ir atrás da manada, porque entendi que aquela era mais uma forma de estar com os amigos e de socializar, de viver Coimbra, sem fundamentalismos, de forma saudável.
 
O tratamento que estamos a dar a este assunto - mediatizado à força de falta de notícias que o sejam de verdade - revela, uma vez mais, o material de que somos feito enquanto povo. Não serão tão obtusos os que apontam o dedo sem conhecer a essência da Praxe como aqueles que, fazendo parte dela, a deturpam com práticas violentas e que envergonham o Código? Deixemo-nos de generalizações, deixemos de falar de realidade que desconhecemos. Só há uma maneira de proteger os nossos filhos [e mesmo dotando-os dessas ferramentas há tanta coisa que pode correr mal!]: fortalecendo-lhes o carácter com exemplos, ensinando-lhe o respeito pelo próximo.
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pior que ser burro é mostrar que se é burro!

A senhora, entretida a escolher uns fios e umas merdalejas com penduricalhos, com ar espalhafatoso e bem disposto falava com sotaque brasileiro. Entre outras coisas ouvi-a dizer "Quando a gentji regressá ao Brasiú lá vai está Verão" ou "Lá a gentji não encontra coisas destas". Mesmo assim a mecatrefe que estava a atender a clientela saiu-se com esta pérola: "Ai, mas a senhora é brasileira, é?". Dessa é que eu não estava à espera! Esmagou-me logo ali com tal constatação. A tal da brasileira, mais admirada ainda do que eu, ficou pasmada e só conseguiu balcubiar um "é"! Brasileira? Não filha de Deus! Aquele sotaque era só para disfarçar. Bem se via pelo mandarim em que se expressava que a senhora era alemã! Oh lord! Que atraso de vida esta miudagem tão descerebrada!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Somos tão... pequenininhos!

Bem pode mudar o sô presidente da Câmara ou o da Junta. Enquanto houver quem, de entre nós, insista em se considerar mais esperto do que os outros - e tenha desplantes obtusos como passar à frente das pessoas nas filas - continuaremos a ter o país que merecemos. Ou que alguns de nós fazem por merecer. E depois queixem-se dos políticos. Corja por corja...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Porque é que sou a favor de se privatizar tudo e mais alguma coisa, a começar nos CTT e a acabar no Estado?

Porque, definitivamente e sem sombras de dúvidas, nós temos o país que merecemos! Ai temos mesmo.
Cenário: cuidáveis vós que eu vos andava a endrominar com a historinha de enviar coisas para Timor, mas não era brincadeira. Tirei-me de cuidados, alevantei-me cedíssimo, fiz as ditas compras e fui aos CTT enviar as coisinhas para serem distribuídas por quem mais precisa delas. Carregada com mil e uma caixa, não tive outro remédio se não, à boa maneira bertolda, enfiar o xizato que a funcionária me emprestou no bolso de trás das calças para libertar as mãos. Nunca mais me lembrei dele e foi nessas figuras [com um xizato tamanho XXL, cor de laranja florescente a querer cair do bolso dos jeans] que fui apanhar os transportes e que me andei a passear pelas ruas da cidade. Ora, chegada a casa dou-me conta do aparato e pensei logo em ir devolver o dito cujo. A questão que se coloca aqui é: eu até estou precisada de um xizato, que é coisa para dar jeito lá por casa e no trabalho. Já o mesmo não pensa a senhora a quem o tentei - notai: tentei! - devolver, que insistia que poderia ser engano. Sim, tinha um a mais em casa e vim doá-lo! E insistia que não era dela. Pois não, não era! Era de todos, porque era dos CTT. Se fosse numa empresa privada, se ela mesma tivesse comprado o seu material como eu tive de fazer apesar de trabalhar num organismo público se calhar estimava-o e provavelmente dava conta que ele tinha sumido. É só um xizato, mas se multiplicarmos por todas as alminhas que acham que o material da empresa não é de ninguém temos como resultado o belo buraco orçamental. E quem diz xizato diz gasolina, diz carros, diz viagens e o diabo-a-quatro! Porque o que é do Estado é de todos, mas só quando é para receber. Quanto se trata de perceber que quando lesamos o Estado é a nós mesmos que estamos a lesar parece que as contas são complicadas de mais para se fazerem de cabeça!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Se as críticas rendessem Portugal saía da crise em dois tempos.

Por motivos superiores - como certos festejos que exigem a minha total atenção e me deixam prostradinha por dias e dias - não tive o (des)prazer de assistir atempadamente à entrevista ao outro moço que é amigo da Pamela e nada em dinheiro. Mas como na net se armou um sururu do tamanho do Grand Canyon inteirei-me rapidamente da confusão que se instalou. De todos os lados e de ainda mais algum soltaram-se vozes estridentes a apelar ao enforcamento da senhora, à chacina em praça pública. Por mim, tudo bem. Adoro um bom massacre! E se é para falar mal esperem por mim que sou um talento nato. Acontece que, e agora mais a sério, caímos no mesmo erro em que, enquanto povo unido que somos, teimamos em incorrer repetidamente: generalizamos e embandeiramos em arco. Das duas uma: ou havia por aí muito ódio escondido contra a Juditinha ou então está tudo a ver se cai nas boas graças do milionário. Se a entrevista foi um asco, despropositada, com ataques infundados, sim senhor, manifestemos desagrado. Se, eventualmente até temos o dom da escrita e somos dados à laracha, façamos um post scriptum a achincalhar o modelito da senhora. Agora, atacarem a vida pessoal da Judite, o casamento, a figura, pondo em causa todo o seu percurso profissional só porque somos dados a papar grupos já são outros quinhentos. O rapaz respondeu à altura. Ela retractou-se e admitiu todas as falhas que lhe foram apontadas. Ninguém ficou mais informado mas muitos certamente ficaram mais ressabiados por verem que há quem tenha mais dinheiro que eu sei lá o quê. Um mau momento televisivo. Não passou disso. Portanto escusais de vir já com as forquilhas em riste a caçar a bruxa que ao parecer defender os pobres acabou por dar a ideia de atacar o desgraçadinho do milionário.
Pelo sim pelo não eu estou a organizar um sindicato que zele pelos direitos dos pedintes e vagabundos. Estou ansiosa para saber quem, depois da Pepa, da Jonet e da Judite, vai ser o próximo alvo dos fiéis escudeiros dos pobrezinhos. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

É tudo uma questão de educação... ou falta dela!

A minha santa avozinha sempre me disse que pessoas boas e pessoas más as há em toda a parte. Mas gente parva e desprovida de educação e bom-senso não as deveria haver em alguns sítios. Começando pelas pessoas que cuspiram o nosso Vítor Gaspar no supermercado e passando por este senador italiano que comparou ministra negra a orangotango, creio bem que a solução da crise (sobretudo a moral) vem longe e é cada vez mais uma miragem. Quando as pessoas perdem o respeito pelo próximo perdem-no por si mesmas. E mal vamos quando estes casos começam a ser mais a regra e menos a excepção.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Carris: sindicatos exigem subsídio para ir ao barbeiro"

Estes senhores dos transportes queixam-se por tudo, por nada e por mais qualquer coisa. Entendo que ninguém queira perder direitos, respeito que se manifestem e até que exijam mais e melhores condições laborais. Cada um queixa-se do que lhe dói! Mas se há classe trabalhadora que me tem "andado a agoniar o canal" (como diz mamãe), é a malta transportadeira. E só para lhe acabar com as tosses e as manias, ainda esta semana limpei uma indemnização à CP por causa dos frequentes, recorrentes e incoerentes atrasos nas viagens.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Há gente que está precisada de um valente coice na moleirinha para ver se atina!

Como li agora há dias num blogue, tê-los no sítio é enfrentar uma onda de 30 metros, não é andar a passear-se com um lencinho vermelho à frente de um toiro. E a conversa sobre touradas e afins fica por aqui porque não estou para esgrimir argumentos. Não gosto sobretudo da espanhola, com o cavaleiro a espicaçar o touro, sentado no seu cavalinho todo protegido por uma armadura. Aprecio as fatiotas todas bem amanhadinhas, não o nego. E aquela postura galante dos toureiros. Acredito até que no entendimento deles o touro nasceu mesmo para cumprir esse propósito de morrer na arena, numa batalha justa entre homem e besta. E os destemidos forcados merecem-me respeito. Muito. Mas isso não implica que eu tenha de pensar da mesma forma, de gostar de touradas e de lhe reconhecer fundamento. E, embora uma andorinha não faça a Primavera, o que dizer de um toureiro que se digna postar no FB fotos destas e ainda argumenta que «os cães só estão a ladrar à vaca»? Onde está a nobreza deste acto e a defesa da dignidade do animal pujante que nasceu para morrer na arena, senhor-chico-esperto-toureiro-de-uma-figa?

sábado, 11 de maio de 2013

Subtilezas destas são coisa para me animar a alma.

E para me deixar bem dispostinha. Nem que seja por momentos. Ficais a saber que em a gente ligando para departamentos governamentais de nuestros hermanos até dá gosto ficar à espera, tal é a quólidade da musiqueta com que nos entretêm, tudo modernaço e tal e coisa. Nada a ver com a "música de elevador" - e eu até gosto de umas pianadas - com que me massacram ozóvidos em terras lusas.

Já vos disse hoje que estou apaixonada pela Pink? É um caso de amor seriíssimo!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Funcionário público sofre... mas o público sofre muito mais!

Não tenho pachorra para pessoas mal educadas. Eu sou o cúmulo do mau humor, que sou. Às vezes sabe Deus como eu mesma me suporto. Segundo a amiga D. estou muitas vezes no limiar da insolência em relação aos que me são mais próximos. Mas má educação é coisa que não me assiste. Não se trata de presunção, é um facto. Aliás, sou das que tem voz de telefonista quando se trata de atender pessoas. Não há nada que justifique uma falta de educação. Mesmo quando o são para comigo, evito sê-lo para com os outros. Ora, se há coisa que detesto, dizia, são pessoas mal educadas. Mas se há coisa que detesto ainda mais são pessoas mal educadas a desempenharem funções que implicam atendimento ao público e afins. Acho o fim da picada. O cúmulo. Gente, vós sois pagos para ter de lidar com pessoas. Sim, há gente pouco cortês que se vos dirige; sim, tendes de ouvir de tudo um pouco; sim, não há paciência para o mau humor alheio. Mas sois pagos para isso, para apresentar respostas, ajudar, atender pessoas. Esta história é tão batida, rebatida, esbatida que já cheira mal, mas quando chega a nossa vez de ficar 18 minutos e 8 segundos em espera para depois nos dizerem que passaram a chamada 2937592765 vezes para 46528658 departamentos diferentes e que afinal nenhum nos pode ajudar e «olhe, mande mazé um email», a piurça que há em mim salienta-se! Eu tenho de lidar com pessoas de todas as condições sociais, cores, tamanhos e feitios diariamente. Muitos deles faltam-me ao respeito até. Mas asseguro-vos que nunca deixei de tentar ajudar e procurar soluções para aqueles que me merecem essa atenção, desde que esteja ao meu alcance. A atitude dos funcionários da maioria das secretarias, serviços centrais e ademais botequins revela o que o país tem de melhor (not!): o braço cruzado, o laissez-faire laissez-passer, a atitude do deixa andar, da resignação. Não suporto esta desistência, o não querer saber porque dá trabalho! Chiça penico! Um só não fará a diferença, mas se vários uns tentarem... a bem da saúde mental de um forma geral, gente!