sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Daniel gostava da Iara, que gostava da Cíntia.

Oh pah, chamai-me arcaíca e tacanha e retrógrada, mas serei a única a achar que há algo de errado em um miúdo de 15 anos se dirigir a outra miúda da mesma idade, nestes termos: «Mas oh Iara, tu já não gostas de mim porque agora estás com a Cíntia.»? A ver se nos entendemos: por mim cada um faz o que quer da sua vidinha contanto que andemos todos felizes. Mas confesso que fiquei um nadinha chocada. E a pensar que se calhar é bom liberalizarmos e defendermos o direito de escolha, mas isso implica também a responsabilidade de formar cada vez melhor as pessoas, sob pena de termos o circo armado e todos parecermos velhos do restelo à beira destes imberbes dados a experimentações. Digo eu, vá, que ao pé deles devo ser uma carunchosa.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Às vezes, por puro masoquismo, submeto-me a estas coisas. Dores dilacerantes!

Eis chegado o dia fatídico em que até eu sucumbi à tentação e parei cinco minutos para ver o Toddlers & Tiaras. Para que vejais a que ponto chega a vã existência de uma pessoa.
A apresentação deixava tudo dito. Pensava eu. Mas estava errada! Há muito mais naqueles episódios do que vocês imaginam, caros leitores! A tal ponto que dei por mim a tentar fotografar a TV com medo de mais tarde não encontrar na net as fotos do concurso para ilustrar devidamente o disparate.
Segue-se pois o resumo dos minutos de angústia que vivi.
 
 
Esta criatura, em quem os criadores do "Porquinho Babe" obviamente se inspiraram, convencida que é linda e que o mundo se rende a seus pés, bamboleia a sua piquena de 22 meses em tudo quanto é concurso. E como se ter uma mãe atolambada não fosse suficiente, descubro que é o pai da inocente criatura que lhe faz a manicure! O que vale é que não descuram a educação e a miúda tem, obviamente, maneiras! Uma lady!
 
 
 
 
 
 
 
Esta outra, toda ela um exemplo de elegância e bom gosto, é a progenitora da magnífica criatura que, irritada, proferiu estas palavras ternas e comovedoras: «Às vezes a minha mãe enerva-me e tenho de a mandar calar. E depois espanco-a com o mata moscas.» Normalíssimo! A primeira vez que sacudisse o pó aos meus pais com um mata-moscas deixavam-me as nalguinhas de tal maneira negras que era caso arrumado e nunca mais me cruzavam a ideia tais pensamentos de rebeldia.
 
 
 
 (E esta pose? Ainda me arranja ali uma distensão muscular ou o caraças! Depois não sabem onde fica África no mapa. Pudera: vêem tudo ao viés!)
 
 
Por seu turno, esta senhora que faz parte do júri saiu-se com este comentário: «Ah, eu acho que gostava de lhe ver o cabelo mais liso. Estava um pouco ondulado de mais.» Acho que é óbvia a aversão da senhora aos caracóis e às ondulações excessivas!
 
 
 
 
E podia ficar aqui até me doerem os dedos de tanto teclar, mas acho que pela amostra já deu para entender o que andais a perder. A única coisa que me causa espécie é: no meio de tanta liga protectora dos animais e afins, quem se dedica à defesa destas criancinhas sujeitas a tais barbáries? Ai, espera, quereis ver que é por gosto que aos 4 anos se submetem a práticas extremamente lúdicas como arrancar penugens com cera ou ser espremida enquanto a maquilham?
 
 
 
Se esta criança não é a viva imagem da felicidade então eu não percebo nada disto de se ser petiz, despreocupado e de bem com a vida!
 


Cinco minutos volvidos tinha a pulsação acelerada e os nervos em fanicos. Era açoitar os fedelhos sem dó nem piedade dada a insolência com que botavam faladura! Depois lá me acalmei e percebi que afinal de contas as criancinhas não têm culpa. Quando há pais que compram vestidos pavorosos, por 1200 doláres e ainda os acham baratos, para a filha se pavonear como uma pequena meretriz, besuntada até mais não, sou a favor de submeter estas pessoas a terapia intensa ou, em última análise (porque há casos sem solução), a uma lobotomia. Se bem que acho que é uma tarefa inglória tentar encontrar os cérebros para lhos retirarem.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Bipolaridades.

Eu não gosto de mar. Prefiro montanha. Eu não gosto de música. Prefiro silêncio. Eu não gosto de sol. Prefiro vento. Achava eu que não gostava. Porque agora não há nada que me deixe mais bem disposta do que o sol a reflectir na água, músicas tipicamente portuguesas e afadistadas enquanto espero que me passem chamadas, crianças a correr e a soltar guinchinhos de alegria, o cheiro a maresia e o tumulto da multidão. Dizem que mudamos de gosto (diz a minha mãe referindo-se a comida) de sete em sete anos. Eu acho que nos vamos adaptando, vamos reorientando a bússola à medida das circunstâncias. Não sei se não chegará o dia em que diga à boca cheia que para estar bem é na praia. E quê? Não sou pessoa de conviccções vincadas. Sou pessoa ávida de aprendizagem e de vivências, e acredito, sei aliás, que o que hoje é preto amanhã pode ser cinzento. Nem que seja por força do uso e do desgaste.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Estou para ver o que daqui vai sair, estou, estou!

O meu horóscopo anda há semanas a moer-me a moleirinha com a história de que vem aí um grande amor a caminho. Ora, atendendo a que não há o menor indício da chegada do mesmo - da existência sequer! - sou levada a concluir que: é russo (logo aqui ao lado, portantus), tem o mesmo sentido de orientação que eu, é coxo e vem a pé! Está demoradooo!

[Ainda há czares na Rússia? Não era, de todo, mal pensado...]