… voltar a casa. De sentir que não há
apenas um mas vários lugares onde pertencemos ao longo do tempo. De receber amigos. De ser mimada. De jantares inesperados e por isso mesmo insuperáveis. De
bairros enfeitados de cor e da alegria das gentes da terra. De sangria e febras no
pão, que as sardinhas não entram comigo. De voz esganiçada a cantar as marchas. De
olhos marejados de lágrimas de tanto rir. De bailaricos pela noite fora. De
Lisboa que se entranha a cada arraial. De caminhadas pelo campo. De Parabéns
cantados a várias vozes mas com um só sentimento. Da união de destinos do H. e
da J. De ânsia pelo Sol que tardou. De desejo de recomeço. De vontade de (con)viver.
domingo, 30 de junho de 2013
sábado, 29 de junho de 2013
Ainda sou do tempo em que o Perna de Pau sabia a morango verdadeiro e não a uma nhanha agelatinada como agora.
Muito, muito antes da moda das Havaianas chegar a Portugal
(à minha aldeola, pelo menos), existiam uns chinelos de dedo azuis, com umas
riscas no meio da sola tipo arco-íris. Todos os Verões, comprovando que crescera,
tinha direito a um par novo, que comprava na mercearia do costume. Era isso e o
belo do Mini-Milk ou aqueloutro gelado cujo nome ignoro com sabor a banana. E, meninos, era feliz. Oh se era!
Entretanto a minha tia [atolambadinha que dói], a
descer da Scotter, de chinelos, pregou uma tamanha panada num pedregulho que
até a unha do dedo grande lhe saltou. Comecei então a preferir sapatecas
fechadas. Só porque sim.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Parabéns P., tu que tanto gostas de celebrar a vida.
A P. fez anos há mais de uma
dúzia de dias. Era suposto ter tido direito a post personalizado, mas eu andava
cinzentona e as pessoas, as minhas
pessoas, merecem-me apenas o melhor. Ainda por cima a P., que já teve o pior de
mim. Ficou para depois. E agora ando aqui com uma data de coisas para dizer
sobre ela, que vão desde a admiração pelo talento e pela dedicação à sua arte,
até ao respeito que lhe tenho pelo profissionalismo e empenho. Mas é sobretudo
a alegria de a saber ali, aqui tão perto se necessário for, tão feliz e
realizada. Depois de tropeções, de dias enevoados como o camandro, regados a
água que era chuva e lágrimas.
E, como me escasseie o talento
para o dizer melhor, declaro apenas que a gratidão é das minhas virtudes preferidas.
E à P. estou-lhe grata. Pelas horas roubadas, pelo refúgio, pela compreensão. E
até por coisas que ela nem sabe que fez por mim, mas que fez, estando apenas e
acreditando em mim quando eu mesma não o fazia.
P., que nos seja dado viver por
muitos anos e que a caminhada que ainda temos pela frente seja como a deste
ano: tão plena de amor e de amizade.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Ao primo D.
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada.
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela.
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação:
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não.
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
Fernando Pessoa
13-11-1926
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada.
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela.
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação:
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não.
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
Fernando Pessoa
13-11-1926
Como diria o Gil Vicente, esse grande pândego, muito folguei em ter tido a sua companhia nestes dias que tão rápido passaram. Obrigada pela serenidade, pelas gargalhadas e, sobretudo, pelo sarcasmo tão do nosso apreço.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Coisas com que não posso nem à lei da bala #1
Migas é uma açorda! Se queremos referir-nos a alguém do nosso círculo de amizades usemos "AMIGA/O". Poupai-me à bimbalhada da "miguice".
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