quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dicionarizar #1

Volta e meia bato estes olhinhos lindos-que-dói em pérolas da língua portuguesa quando maltratada e das duas uma: ou entro em hiperventilação ou tenho ataques de riso. Adoro quando as pessoas se armam aos cágados, como diz a minha mãe, e depois metem a pata na poça. Felizmente ainda há almas caridosas como eu, prontas a servir a nação e o mundo, a título gratuito e sem mais nenhum interesse que não seja o de preservar a minha saúde mental.
 
Hoje alguém se saiu com esta: «As ideias foram surgindo em catapulta [...]». Não foram só as ideias que foram projectadas sabe Deus para onde; o cérebro da criatura há muito que, notoriamente, também saiu desarvorado por esse mundo fora.
 
 
catapulta
s. f.
Antiga máquina de guerra que arremessava projécteis.
 
catadupa (latim Catadupa, -orum, catarata do Nilo)
s. f.
1. Queda estrondosa de água corrente. = CATARATA
2. Saída ou corrente impetuosa de algo (ex.: elogios em catadupa). = JORRO, TORRENTE

Fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Feelings. Nothing more than feelings.

Eu cresci numa aldeia, com tudo o que isso implica. Mormente as tradições. Lembro-me dos serões em casa da Avó e de ouvir histórias de lobisomens e episódios fantásticos. Lembro-me das tardes em casa da tia Teresa e da tia Gracinda e das lendas que nos contavam. Todas elas eram mulheres nascidas e criadas no campo, com vidas duras e poucos estudos. A sua sabedoria era o sentido, o tal sexto sentido, as emoções, os sonhos proféticos, os sinais dados pelos animais, as carolices de velhinhas calejadas pela vida e pelos acontecimentos insólitos, nem todos eles com explicações facilmente entendidas por nós, tão científicos e armados de Razão.
Ontem a minha mãe disse-me: «Vai morrer gente. A Avó foi [enterrada] com um olho semi-aberto.» Perguntei-lhe o que queria isso dizer. Explicou-me que é «como se estivesse a chamar alguém.» Hoje ligou-me para me dizer que faleceu uma senhora da minha terra.
Há coisas que não vêm nos livros. Passam de geração em geração. Transmitem-se no sangue.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O que fazemos quando nos sentimos assim por dentro?

 
 
 
* Este copo habitou a minha secretária semanas a fio. No dia em que decidi levá-lo para casa caiu e partiu-se. Há coisas que não estão destinadas a ser.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Por outras palavras.

Já falei dele anteriormente, mas não me canso de repetir: CARROSSEL. Leitura em bom!

Na semana passada arrancaram-me um sorriso enternecido com esta grande lição:
«Eu sou de mim mesmo.
E dos que me indicaram o caminho desta estrada sem fim

domingo, 21 de julho de 2013

Voltar sempre aonde se foi feliz. #1

  
 
 
Os Maias - como quase tudo o que o Eça assinou - são um vício. E uma terapia. Poucas coisas me devolvem a mim, à minha paz, à minha serenidade e fazem com que tudo faça sentido novamente como os escritos deste senhor. É impossível não acreditar no Bem, em Deus ou o que seja quando já houve neste mundo quem dominasse a Arte desta forma. Poucas pessoas me arrancam gargalhadas como tu fazes, Mestre!