terça-feira, 27 de agosto de 2013

Família: uma Gaiola ou um Ninho?

 

O melhor d’ A Gaiola Dourada não são as interpretações maravilhosas de um punhado de actores soberbos, de onde se destaca a Rita Blanco.
O melhor d’ A Gaiola Dourada não é estarem lá escarrapachadinhos de modo divertido todos os estereótipos e todos os preconceitos que teimamos em cultivar em relação aos emigrantes.
O melhor d’ A Gaiola Dourada não são os cenários exagerados, onde abundam as Nossas Senhoras de Fátima e os Pastorinhos, os emblemas do Benfas e as bandeiras nacionais, bem ao jeito da «ditadura do General Alcazar» - Fado, Futebol e Fátima.
O melhor d’ A Gaiola Dourada não é o argumento que joga com a língua, divertido, sensível, que emociona e diverte, que põe a nu fragilidades das relações e da condição humana.
O melhor d’ A Gaiola Dourada é ver na tela a minha própria família. Reconhecer na personagem da Rita e do Joaquim os meus próprios pais: altruístas, trabalhadores, esforçados, com uma vida construída a pulso. Ver na personagem da Maria um pouco de mim mesma: espaventosa e desbocada. Ter um déjà vu na cena das almoçaradas de família, rebuliçosas, barulhentas, de mesa farta e com toda a gente a falar alto e ao mesmo tempo. Talvez por isso - por o melhor d’ A Gaiola Dourada ser um pouco o retrato  estereotipado e exagerado de mim e dos meus, das formas enviesadas de gostarmos e de tomarmos conta uns dos outros e por isso me ter deixado a pensar no verdadeiro sentido de se ter e se ser uma família - saí da sala de cinema de sorriso nos lábios. C’est si bon!


2 comentários:

Abelhuda disse...

Deixaste-me (ainda mais) com água na boca!!

Unknown disse...

Eu já vi há algum tempo e já via outra vez. Não é uma obra-prima da Sétima Arte, não é um oscarizável, mas, menina, é bem dipostinho, sabe rir-se de si mesmo. E só por isso, por nos relembrar que somos todos feitos da mesma matéria, já vale a pena.