terça-feira, 13 de agosto de 2013

With love, from Timor!

O Bruno, não vamos estar com rodeios (mas já exagerando, como é meu apanágio), era o tipo de miúdo por quem não dava nada. Educado, asseadinho, boa gente, honesto, mas mais interessado em futeboladas e miúdas giras do que em se agarrar aos livros. E, a menos que se viesse a tornar num Ronaldo - feito difícil de alcançar dado o reconhecido gosto pela MinE e pela rambóia -, eu cá temia que aos entrarmos nos trintas o Bruno andasse por aí a espalhar magia mas sem rumo traçado. Mas como "muito se engana quem cuida", as contas saíram-me furadas. Não só deu em estudar seriamente como teve a desfaçatez de acabar o mestrado ainda antes de mim. (E que orgulhosa fiquei de ti, miúdo!)Pior: tornou-se um profissional daqueles com que dá gosto trabalhar. A pessoa, essa, continuou como antes. Minto, como antes não. Melhorou, se cabe. Amigo de todas as horas, atento e carinhoso, de sorriso fácil e de trato incomparável. Não é por ser meu amigo que o digo, mas o Bruno (e os seus outros milhentos amigos bem o podem atestar) tem um coração grande, enorme, gigante e é uma pessoa como já não se fazem.
 
Não, o Bruno não está com os pés para a cova. Alerto para o facto porque a raça lusa é dada a louvores pós-mortem, a elogios tardios a quem já não os pode apreciar. É precisamente por o Bruno atravessar uma das melhores fases da vida dele que dele falo hoje.
 
Quiseram as voltas e contravoltas da vida que o rapazolas fosse parar a Timor. Emigrante forçado pelas circunstâncias nacionais e, sobretudo, pelo coração, partiu em busca de oportunidades. Partiu para poder estar ao lado da mulher com quem escolheu partilhar a vida. Partiu para fazer a diferença na vida de outros. E tem-no feito tão bem. Se tem! Basta ver as fotos em que regista o passar dos dias e com que vai mitigando as saudades que por cá deixou; basta ler os emails que envia e que deixam transparecer a felicidade e o entusiasmo que por lá vivem. Mas que também espelham as dificuldades que enfrenta. Que falam das contrariedades do dia-a-dia, da falta de meios com que trabalham, da parca instrução das crianças. A essas crianças, para além do carinho que nutre por elas, une-o um amor maior, essa linguagem universal que é o Futebol. O Bruno é um maníaco do futebol e parte do seu trabalho tem-no desenvolvido nesse sentido. Na semana passad falou-me de umas ideias que tem, de uns projectos novos que anda a cozinhar em fogo lento para ocupar as férias da criançada, sempre do ponto de vista lúdico-didáctico. Mas a seu tempo será ele mesmo quem nos falará publicamente disso, em espaço apropriado. Até lá, e já que ele não pede nada a ninguém, peço eu por ele(s). Fica-vos o meu apelo para que possamos reunir material para enviar para o Bruno, que alimente os seus projectos, que faça a diferença (por pequena que seja) na vida daquelas crianças: t-shirts, chuteiras, sapatilhas, meias, calções, bolas, apitos, bonés... livros.
Aos/Às interessados/as em colaborar é favor deixar as coisinhas comigo para posterior envio. Ele garante registo fotográfico que certifique a entrega de tudo a quem de direito.

Rapazito, como há muitos anos atrás a história repete-se: as futeboladas ficam para ele, das papeladas trato eu. ;)






Acho que não se vê muito bem mas a miúda tem uma faca na mão...



Fotos by Bruno.